terça-feira, 28 de dezembro de 2010

19 de Novembro de 2010

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! "

Florbela Espanca


"Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!... "

Florbela Espanca


E assim nasceu algo, não sei bem o quê, mas nasceu. Por muito que tente arranjar um nome que o defina, fica difícil, porque só amizade não é, mas é àquilo que mais se assemelha. Chegou logo a seguir a um baque enorme, como se fosse uma nuvem onde podia encostar a minha alma. Desde esse dia foram poucos os que não falamos, muito poucos. Por vezes, liga só para saber como estou e isso sabe bem, sabe a algodão doce que é o sabor da amizade. Mas, depois dou comigo a pensar: não, não é só amizade. Mas na prática é, e logo de seguida sorrio e deixo rolar.

Entrou na minha vida em pés de lã, devagarinho, devagarinho e cá ficou, no meio de tanta gente que já estava no meu coração. Ficou aninhado, não é daqueles que entra na alma e se esparrama no sofá. É daqueles que tem a certeza que vai poder ficar, porque o meu coração é grande e ele gosta de mim. Eu sinto-o, gosta de mim como amiga, como vizinha, como alguém que acabamos de conhecer e que sabemos que gostamos, só não sabemos explicar porquê. Mas, também porque raios tudo há-de ter uma explicação? Eu penso nele todos os dias e sei que ele pensa em mim. Mas ele pensa nos meus intervalos, porque é aí que ele me procura: quando eu menos espero. Pode ser com um sorriso, com um toque na minha porta, uma mensagem, um telefonema, seja como for, mas pensa. E sei que pensa mesmo quando nada faz. Eu sei, porque sinto-o.

Não dizemos tudo o que queremos, porque não podemos e por vezes há silêncios, silêncios necessários, silêncios que preenchemos com gargalhadas, ou mesmo com nada que em nós significa tudo. Ele chegou - de outra forma, porque já cá estava - à minha vida dia 19 de Novembro, dia dos anos do meu avô e ficou. Eu sei que nada é por acaso, nada... Ele é meu amigo e eu sei que posso contar com ele, com o ombro dele para chorar e com a companhia para rir, conversar ou fumar um cigarro. E ele faz-me bem à alma.

Depois com ele, veio um pequeno príncipe, que se aninha e me pede para contar histórias. E eu conto sem parar, com aquela teatralidade que me é tão característica e viajamos os dois, para mundos imaginários. E todos sabem como gostava de ter tido um filho rapaz e como tenho saudades da MC pequenina. Nem sei quem gosta mais das fugas do T. para aqui, se eu se ele. Entraram e ficaram. Entraram por uma garagem húmida, por uma rua fria, mas aquecem-me os dias com a amizade que me têm.

8 comentários:

Carla disse...

Minha querida (desculpa tratar-te assim, caso consideres abuso... mas é assim que "te" sinto... de tanto te ler), nem imaginas como fico feliz ao ler este texto... como sei... que tal como te dizia em tempos, teres encontrado o teu principe, o teu rei... tudo o que mereces... temos MESMO de combinar o tal lanche, almoço ou café, sim?

Teresa disse...

que lindo! adorei este texto :)

Este Blogue precisa de um nome disse...

Carla menos... :) príncipe? Tu és ums sonhadora, rapariga :) eu aqui só falei de amizade :) Que romântica Deumalibre...

Beijo

Carla disse...

:) :) :) é a realização dos meus sonhos e desejos que torna a minha vida tão doce. Falaremos dentro em breve :) :) :)!!!

susie disse...

Adorei o texto. Sabes, as vezes acho que as melhores amizades são estas, as que estão onde menos se espera.
Que dure uma eternidade...

Joaninha disse...

Enternecedor...

Sus disse...

Excelente texto! Adorei!
Vou voltar com certeza!

Beijos!

Isabel disse...

Tenho que pôr a leitura em dia, chego aqui quase um mês depois deste post e vejo que tenho muito para me actualizar!!!